Solução profissional para gestão de eventos -
 

Maria Helena Cordeiro Relvão, 57 anos, Enfermeira há 36 anos
É supervisora no ACES Oeste Sul, acumulando o cargo de Vogal do Conselho Clínico e de Saúde

Candidato-me a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros (OE), porque acredito em nós, Enfermeiros, e na nossa profissão.

É o meu percurso profissional a minha carta de apresentação e recomendação. Aqueles que comigo partilham o privilégio de ser enfermeiro sabem como me posiciono na profissão e aquilo por que luto.

“A diferença está em nós, enfermeiros”, porque consideramo-nos o grupo de profissionais que, dentro do sistema de saúde, apesar de todas as contrariedades e obstáculos, mantemos o nosso espírito de missão, a nossa pro-atividade, o nosso querer fazer mais e melhor. Todos juntos pelos utentes, enfermagem e enfermeiros, é sem dúvida o nosso grande objetivo. O caminho tem sido longo, na procura de uma afirmação e de um reconhecimento que se quer para a nossa profissão no contexto sociopolítico atual.

A melhoria do desempenho dos enfermeiros e o contributo para a excelência dos cuidados não têm tido a repercussão esperada para o reconhecimento público que a profissão merece. Por isso me interrogo sobre:

- A inexistência de dotações seguras, enfermeiros que vão saindo das instituições e não são substituídos;

- A desatualização dos mapas/quadros face às necessidades e que, mesmo assim, se encontram por preencher;

- O não reconhecimento público da imprescindibilidade da nossa profissão;

- A inexistência da procura da nossa intervenção em debates de interesse nacional para as políticas em saúde;

- A não atribuição da liderança dos processos organizativos nas instituições de saúde, quando nós sabemos que somos os profissionais mais preparados;

- A contratualização de indicadores que não refletem o desempenho dos enfermeiros;

- O não reconhecimento do investimento feito pelos enfermeiros ao longo dos anos na formação e na investigação.

A existência da OE, só por si, foi um avanço significativo para o reconhecimento da profissão e nós entendemos que o trabalho levado a cabo pelos nossos colegas em anteriores mandatos foi hercúleo e bastante dignificante para a enfermagem.

Estamos descansados quanto aos mecanismos de regulação da profissão na defesa dos valores, missão e filosofia do cuidar em enfermagem e na defesa dos interesses dos cidadãos, que constituem o enfoque de uma classe profissional que, ética e deontologicamente, tem demonstrado que posiciona o cidadão no centro dos cuidados.

Então o que nos preocupa? Qual a diferença que queremos imprimir na nossa atuação?

Queremos, acima de tudo, que todos os colegas participem nas tomadas de decisão emanadas pela OE. Para isso, o recurso ao voto eletrónico já é uma realidade que nos aproxima a todos. Não podemos continuar a deixar que uma percentagem mínima de enfermeiros decida por toda uma classe profissional. É impensável obrigar alguém do Norte ou do Sul a deslocar-se a Lisboa para participar nas Assembleias Gerais.

Temos que tomar decisões em enfermagem auscultando os demais interessados, ou seja, todos os enfermeiros. Temos que conseguir consensos, onde prevaleça a razão, a lógica, a justiça e o conhecimento. Para isso, a opinião de todos é importante, tornando-se preocupante quando deixamos de a ter ou de a exprimir.

Que se criem elos de ligação com a OE, eleitos pelos pares, dentro de todas as Instituições. Queremos estar próximos de todos e encontrarmo-nos com regularidade.

Depois, é preciso devolver a todos nós o orgulho de sermos enfermeiros. Para isso, é preciso atuar ao nível dos atropelos constantes à nossa autonomia, quer seja a nível da prática clínica, quer a nível da gestão de enfermagem.

Este sentimento de insatisfação que a todos invade, e que por vezes não conseguimos verbalizar nem expressar, terá que ser resolvido.

A falta de emissão de pareceres cabalmente esclarecedores e a indefinição de alguns conceitos muito simples têm comprometido a autonomia dos Enfermeiros. É, pois, importante a emissão de pareceres esclarecedores e a definição de conceitos simples, tais como, a definição de trabalho de equipa. Mas que este não seja entendido como sendo os enfermeiros os auxiliares de outros técnicos, mas, sim, os profissionais que atuam em complementaridade, com saberes próprios e com autonomia técnica e organizativa. E, parecendo insignificante, está aqui o cerne da questão de muitos dos nossos problemas.

A clarificação das “zonas cinzentas”, assumindo, uma vez por todas, que vários técnicos podem ter as mesmas competências.

Exigir que as competências dos enfermeiros sejam respeitadas.

A nossa formação é uma das melhores da Europa. Não há justificação, ainda por cima neste contexto de crise socioeconómica, para que os enfermeiros não sejam os gestores da saúde dos cidadãos;

Não há justificação para que ainda continuemos com dotações não seguras.

É responsabilidade da OE e de todas as organizações/associações representativas dos Enfermeiros trabalharem em conjunto e devolverem aos Enfermeiros a satisfação de o serem.

Temos que repensar as especialidades em enfermagem. Temos que incluir certos saberes nessas mesmas especialidades e reconhecer a importância desses saberes no desenvolvimento da profissão e das competências dos Enfermeiros.

Dialogar mais com os Enfermeiros que exercem a sua atividade em instituições privadas, saber do seu sentir e estar no desenvolvimento da profissão e dos profissionais.

Temos que refletir sobre os estágios tutelados. Se eles servirem para potenciar a precaridade de emprego, dando possibilidade às instituições de terem todos os anos, durante um ano, enfermeiros pagos abaixo do valor salarial e impedindo a contratação de novos profissionais, não concordaremos com os mesmos. Se esses estágios tutelados estiverem de acordo com vagas a preencher por concurso, todos os anos, após conclusão dos respetivos estágios, então sim, concordamos.

Temos que dialogar com as escolas superiores de enfermagem.

Temos que ser mais interventivos a nível das políticas de saúde e socialmente.

A diferença da nossa equipa também tem a ver com a sua constituição. Somos enfermeiros muito ligados à prática dos cuidados, mas temos também a visão do que é gerir em enfermagem e do esforço a que muitos de nós estão sujeitos, tendo presente a realidade do nosso quotidiano; a visão das dificuldades com que nos deparamos e dos atropelos que surgem com muita frequência. Trabalhamos em alguns contextos favoráveis, mas, sobretudo, continuam a predominar os contextos desfavoráveis.

Nós queremos e estamos aptos a discutir ideias. E todos nós precisamos do “coletivo” e do “particular”, dos enfermeiros mais direcionados para os aspetos teóricos e dos mais direcionados para a prática dos cuidados.

Qualquer pessoa, por si só, tem dúvidas e também se engana. Por isso, consideramos que todos juntos seremos mais fortes e pensaremos melhor. Temos que aprender a trabalhar com todas as forças que representam a enfermagem e com todos os Enfermeiros, independentemente da sua forma de pensar ou de agir.

Os cidadãos são a nossa prioridade e, por o serem, não podemos descurar aqueles que lhes prestam esses mesmos cuidados: os Enfermeiros.

Só poderemos defender a saúde dos cidadãos se defendermos a profissão e os Enfermeiros.

Sem me querer alongar, esta equipa de Enfermeiros que hoje se candidata compromete-se a defender uma classe da qual se orgulha. E não temos medo de dizer, tendo em conta os nossos percursos profissionais, que temos que ser mais cooperativos e corporativos para podermos defender na íntegra os interesses daqueles para quem trabalhamos: os cidadãos. Temos dado provas disso.

Não nos candidatamos a nível regional, porque a diversidade de opiniões e de iniciativas só pode ser importante e louvável. Além disso, é bom que os Enfermeiros tomem a iniciativa de se juntarem e lutarem por ideais.

E todos nós queremos o melhor para a enfermagem. Os caminhos a percorrer é que podem ser diversos.

Com todos teremos muito gosto de dialogar e debater ideias, na procura da defesa de um ideal que persigo há muitos anos - O respeito pela profissão de enfermagem, a dignificação da mesma e a conquista do lugar de destaque que merece dentro do sistema de saúde e na sociedade.

Por isso, afirmamos que A DIFERENÇA ESTÁ EM NÓS, ENFERMEIROS.


                                                                                                  




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